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Show De Marionetes
03:29
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O rockstar morreu, virou estampa
Copie e cuspa o poema do gringo
Compre guitarra para esnobar seus vizinhos
Lembra da quadra de queimado?
Agora desça do meu palco!
Deixa eu te ensinar como se mente para os pais:
Do mesmo jeito que diz para os amigos que fez o que não faz
Não dê ordem para o colega, tu nem lava as tuas cuecas
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2. |
Oniromante
03:15
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Eu sou um escravo
de sonhos indigestos
que aquecem meu cérebro,
movimentam os meus vermes
A faca amolo na língua
transformo a noite em verve
Já não há rezar no escuro
deus está sempre presente
Filhos do mesmo pai
agem como se fossem primos
aprendem em línguas distintas
os mesmos hinos
A faca corta meus lábios
transforma ferida em fala
Já não há rezar de joelhos
deus está sempre presente
Eu sou um escravo
de sonhos vomitados
em bocas outras
lambendo o que escorre
quando papai do céu não sonha
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3. |
Verão Que Não Passa
04:39
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Enquanto caminho
pelo mesmo trajeto
que faço desde os doze anos de idade,
mais ou menos a idade em que minha mãe
passou a me deixar sair sozinho de casa,
encontro um disco do Alceu Valença
abandonado sobre uma poça d'água.
Não é o espelho cristalino,
sequer é um disco que eu tenha ouvido,
mas fico angustiado com aquela paisagem.
É como se o destino de todo futuro disco fosse o lixo;
me pergunto por que ainda faço música,
no sentido de registrá-la.
Não sonho mais com a ideia de fazer turnê.
Não gosto muito de sair de casa.
Então me lembro
que para além da caricatura,
ou da hipótese ficcional,
um registro pode ser uma forma de fazer ecoar
um afeto enclausurado.
É por isso que eu grito;
não tenho muito para contar,
mas é muito o que eu sinto
quando olho para trás
e vejo que ainda sigo
o mesmo caminho, no mesmo ritmo.
Fingindo sempre estar dilacerando
um passado absoluto
seu espectro soberano.
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4. |
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No meio do caminho em minha vida
despeço-me com pressa de uma amiga
que em sua lealdade pouco cínica
ouviu meus desabafos e os fez rimas
Cansado desse narcisismo lírico
desfaço-me da imposição do espírito
Encosto agora as coisas ao ouvido
escreverei sobre algo além do umbigo
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5. |
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A primeira pessoa do singular
em sua ilusão de solitude
não compreende que ao se expressar
além de falar é escuta
A lírica sábia enseja desvelar
através da razão um novo mundo
Significando sem transformar
o emocional num subterfúgio
Muita gente quando diz o que sente
se esquece de escutar o que já foi dito
Por isso acabam por inventar nomes para os falsos vazios;
espaços que são ocupados por centenas de espíritos
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6. |
Astúcia Da Mímese
03:36
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Sobre a mesa o verso está
remendando novas formas
com antigos imortais
Eu passeio com os dedos imundos
pelas estrofes patéticas que inventaram o oculto
Já não há mais
simulacro algum com os pés descalços
Tu vens do pó
mas insiste em não regressar
se usando das gargantas
A mensagem nunca chega
sem ruídos e lacunas
que tornamos abissais
Os filhos desta nação estão fora de si
em suas catedrais incendiaram-se outra vez
Gritos voam pelas janelas
como pétala arrancada na primavera;
o guardião ajoelha-se diante a mesa onde vai
repousar o verso que se refaz
Sobre a mesa o verso jaz
reinventando sempre o mesmo
o funeral dos ancestrais é mais um renascimento
Sobre a mesa o verso está
revirando os fragmentos
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Yael Carvalho Torres Rio De Janeiro, Brazil
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